Agosto traz consigo a promessa de descanso – dias mais lentos, tempo com família e amigos. Mas quantas vezes, ao parar, surge o oposto do que esperávamos? Dores, cansaço, mal-estar. E damos por nós a pensar: “Estamos de férias… porque é que nos sentimos assim?”.
É um pouco como acontece com os carros: ao longo do ano vamos reparando em alguns sinais (um barulho estranho, o ar condicionado que já começa a falhar), mas como precisamos do carro todos os dias, adiamos a ida à oficina.
Só quando conseguimos mesmo prescindir dele é que o levamos a arranjar.
O mesmo acontece connosco: ao longo do ano vamos acumulando stress, exaustão, cansaço, mas como não podemos parar, vamos ignorando estes sinais. Quando chega finalmente o momento de descanso, o corpo faz aquilo que não teve permissão para fazer antes: pede ajuda. E fá-lo da única forma que conhece – com sintomas.
Na verdade, o corpo não fica doente nas férias, entra em modo de recuperação. Durante o ano, seguimos muitas vezes no ritmo automático, sem parar para refletir, alimentados pela urgência, pelo stress, por obrigações constantes – e o sistema nervoso adapta-se a esse ritmo.
Parar significa uma desorganização para este equilíbrio forçado. Tal como o carro que só pode ir à oficina quando pára, o corpo também aproveita o silêncio das férias para se fazer ouvir. Desligar custa, sobretudo a um cérebro habituado ao controlo e à velocidade. E, às vezes, antes de aprender a descansar, o corpo precisa de descarregar.
E agora?
O que podemos fazer quando o descanso nos custa?
Podemos começar por aceitar que os primeiros dias de férias podem ser estranhos – dar um desconto, porque o corpo e a mente ainda estão a desacelerar. Depois, resistir à tentação de preencher todos os momentos livres com planos e estímulos. E, acima de tudo, escutar o corpo com curiosidade, em vez de crítica. Os sintomas que surgem podem estar a revelar necessidades esquecidas, adiadas ao longo do ano de trabalho. Descansar é uma prática. E, como todas, pode demorar até se tornar natural.
Por isso, se este ano o corpo nos pedir uma pausa com mais força do que o habitual, acolhamos esse sinal com atenção e ofereçamos-lhe serenidade e momentos de pausa. Não é fraqueza, é lucidez. Pode parecer que estamos a ir abaixo… Mas é só o nosso corpo a dizer:
“Finalmente, férias!”

